Bullying- Parte 2

22 abr

Percebi que este assunto teve grande acesso e algumas pessoas vieram me perguntar se eu realmente sofri bullying e contar minhas experiências.

Sim, realmente sofri e ainda sofro. E como ja disse, a enorme parte vem de pessoas que nunca me dirigiram meia dúzia de palavras.

Me lembro que começou quando eu tinha uns 5 anos de idade, quando fui para uma escola municipal (não estou criticando a rede pública de ensino, maior parte dos casos aconteceu na rede particular, como vocês irão ver mais pra frente). Sempre fui quietinha,mas gostava de fazer amizades. Tentei me enturmar com as outras crianças, mas todas me deixavam de lado. Na hora do intervalo, eu sentava sozinha para lanchar. E até mesmo o meu lanche era motivo de riso. Um simples pão doce com creme era chamado de ‘pão-de-meleca” pelos meninos. E eu ficava incomodada com isso e parava de comer. As meninas criavam apelidos pra mim, e eu não fazia nada por medo. Até que um dia,uma das meninas disse que iria ‘pegar a arma do tio dela para me matar’. Contei para minha mãe, que conversou com a diretora da escola, que nada fez. Resultado: fui trocada de escola.

Isso é algo que me revolta. Quem sofre danos tem que sair. Não acredito muito na teoria do “os incomodados que se mudem”.

Quando fui para a 5ª série do fundamental (atual 6º ano), fui para uma escola particular. Eu tinha 11 anos e estava no começo da puberdade. Cabelo feio, aparelho nos dentes, espinhas por toda parte. Isso foi motivo de apelidos vindo da parte dos meninos e de uma turminha, que era considerada a ‘mais legal da sala’. E, na minha cabeça, eu devia seguir o ‘exemplo’ dessa turminha, tinha q fazer de tudo pra ser aceita por ela. Eu abri mão de muita coisa pra seguir essa idiotice. Eu dei abertura para o bullying que sofria, deixava que elas zombassem de mim, porque achava que assim seria aceita. Foi assim por um tempo, até que um dia, este grupinho fez uma musica totalmente pornográfica envolvendo meu nome e o nome de um garoto.Na hora,eu ri, porque sempre que fico nervosa ou com raiva começo a rir (poisé, estraha…). Mas quando cheguei em casa, me senti suja, por aquela musiquinha idiota estar na boca de todo mundo, falando de sexo, e eu tinha uns 13 anos, a fase que a gente morre de nojo de sexo. Minha mãe percebeu que eu estava estranha e perguntou o que estava acontecendo. Não tive coragem de cantar a musica pra ela. Então, ela pediu para que eu escrevesse num papel a letra da música. As meninas depois de uns dias me pediram desculpa pela musica e pararam de cantar. Mas e a memória que eu tinha sempre na minha cabeça daquilo? Não ia ser apagada tão cedo.

Sofri bullying quando fiz jazz nessa mesma escola. Me excluíam por eu não ser ‘tão boa’,talvez. E isso doía muito. Mas serviu de incentivo pra que eu treinasse cada vez mais. E esse esforço me deu uma bolsa integral na academia de dança que sempre quis entrar, e onde fui aceita com os braços abertos, onde recebi ajuda nas dificuldades, e não exclusão.

Com a chegada do ensino médio, as ofensas ficam mais sérias, e veem de pessoas próximas. Eu recebia mensagens anonimas no meu celular com ofensas, dizendo que eu tinha muitas espinhas, ou que estava engordando, ficando feia. Eu já sabia de todas essas coisas e isso me doía muito, principalmente quando faziam questão de ficar martelando isso na minha cabeça. E foi ainda pior quando eu descobri de onde vinham. Doeu o triplo.

Nessa fase, eu sofria ofensas na escola, apelidos, risadas, pessoas olhando torto, falando que eu era ‘esquisitinha’. E pessoas que eu sempre julguei como legais. O auge foi quando em uma segunda feira, na sala de aula, olhei para a parede e vi escrito em letras garrafais: ” THAÍS CHAVES GORDA!”. Apenas eu e mais duas amigas vimos. Falaram para eu fotografar,mostrar ao diretor da escola. Mas eu me senti tão mal naquele momento, que minha única reação foi pedir minhas amigas para apagarem aquilo, não queria que ninguém mais visse.Hoje me arrependo de não ter tomado alguma providência a respeito.Mas naquele momento, não queria causar alarde, tinha medo de saber quem era e ter mais uma decepção.

Quando criei o blog, mais risadinhas aconteceram. E o pior, vieram de gente próxima de mim. Zombando de mim por eu ter um blog, rindo, ridicularizando, como se o que eu fizesse fosse algo hiper errado. E o pior,as pessoas tem a coragem de chegar na sua cara e perguntar “e o blog, como ta?”,para poder rir da sua cara quando você saísse de perto.

Na faculdade, sofre bullying novamente relacionado ao blog, debochando de posts e videos antigos. E a pessoa ainda fez questão de me expor ao ridículo em rede social,para mais de 3 mil pessoas que curtem a página. Mas a própria cara não teve dignidade de expor. Daí me pergunto: por que me expor assim,ao ridiculo, sendo que nunca fiz nada de mal a ninguém? Isso não é justo! E não digo só porque aconteceu comigo, mas com qualquer pessoa, não é justo!

Eu costumava a acreditar que as pessoas realmente tinham razão. Que eu devia mudar meu jeito, devia mudar meu visual. Mas parei pra pensar e percebi que quem ta errada não sou eu, porque grande parte das pessoas que falam essas coisas não me conhecem, não sabem minha essência, me julgam. Eu perdi a confiança no ser humano. Tenho a impressão que estão sempre rindo de mim.E é por isso que eu prefiro ter poucas amizades. São pessoas que sei que realmente me conhecem e gostam de mim assim. E enquanto ao blog,já pensei em parar. Mas eu não posso deixar que comentários idiotas me afetem. Sei que não agrado a todos, mas agrado a uma quantidade que me parece boa. E porque o fato de EU escrever é ridículo? Pelo fato de eu ser um ‘esteriótipo’ de loira burra? Este blog é pra desabafar, exercitar uma paixão,expor minha opinião e também porque sei que meus posts podem ajudar alguém, em algum lugar, alum momento.

Pode parecer que estou dando grande importância ao assunto. Mas eu não acho justo que isso continue ocorrendo. Eu quero que pessoas que passam pelo mesmo que eu leiam e tirem alguma lição. Quero que vejam que não estão erradas em ser quem são. Quero que alguém leia este post e se sinta tocado, perceba que o que faz é errado, saber o real impacto que o bullying tem na vida de uma pessoa. E contei minhas histórias verdadeiras, sem medo, pois quero que se alguém que fez parte de alguma delas ler, veja que me machucou e me marcou negativamente.

No bullying, o ‘esquisitinho’ é quem faz, não quem recebe.

 

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